<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7672465</id><updated>2011-04-21T20:33:24.751-07:00</updated><title type='text'>Formigas no Açúcar</title><subtitle type='html'>Textos de Santiago Nazarian. </subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://santiagonazariancontos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7672465/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://santiagonazariancontos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Santiago Nazarian</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7672465.post-6018221345328525183</id><published>2007-07-29T11:06:00.000-07:00</published><updated>2007-07-29T11:17:38.929-07:00</updated><title type='text'>TRECHOS DOS ROMANCES PUBLICADOS</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;MASTIGANDO HUMANOS - TRECHO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começaram tempos gordos no esgoto. Despencaram as barreiras, sumiram as tarifas, abriram-se as comportas e o caldo engrossou. Os ratos corriam desordenados, tentando manter a ordem, mas sem uma direção específica a seguir. Num primeiro momento, foi uma avalanche de salgadinhos, balas de goma e refrigerantes descendo até nós. Era apetitoso, sim, eu também curto essa junkie food, mas isso não sustenta ninguém. O melhor aconteceu logo em seguida, os jovens que desceram até lá, atrás das guloseimas. Para comer jujubas, para cheirar cola, fumar maconha e fazer sexo, num local onde a lei já não existia. Foi aí que me esbaldei. Era aquele meu reino particular. E, para reinar, eu não precisava de ninguém sob meu comando, apenas entre meus dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hum, pernas ágeis, glândulas recheadas, tantas passavam por mim e para dentro. Criou-se o medo, claro, mas com ele também a ousadia. O medo sobre os rumores de um jacaré nos subterrâneos fazia com que os mais ousados se atrevessem — e desafiassem os inseguros — trazendo-os todos até mim, de uma forma ou de outra. Era isso o que me garantia a delícia de seus recheios, o medo, a coragem, o atrevimento. Os inseguros tinham a inconveniência de vir de óculos, que eu tinha de cuspir, mas tinham mais carne do que os ousados. Os ousados tinham a carne um pouco dura, mas bem tostadinha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não espero que todos vocês entendam. Afinal, só posso descrever experiências sinestésicas como essas com palavras. Sem o devido estímulo das papilas, uma refeição não passa de poesia — ou assassinato. E eu mesmo defendi que o que importa é a fome. Queria que minhas palavras pudessem abrir o espaço vazio nos seus estômagos; lendo tarde da noite vocês pudessem lamber os beiços. Mas nem sei se acabaram de jantar, se são vegetarianos, macrobióticos, se o que apreciam mesmo é um bom filé de rabo de jacaré. Quem de vocês poderia entender a magia que se produz com a língua numa coxa tenra e bronzeada? Quem de vocês preferiria uma galinha morta? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A textura elástica da pele se rompendo com meus dentes. São tantos. Tantos dentes para trabalhar que os centímetros de elasticidade se rompem como a casca de um tomate para revelar uma polpa quente, vermelha, vibrante. Com o coração ainda batendo — acelerado pelo meu ataque — fazendo seu caldo escorrer mais rápido para dentro da minha garganta. Daí a carne doce e macia se misturando ao caldo, se exercitando em sua tentativa de fuga. Os músculos em movimento, minhas mandíbulas. Separando-se dos ossos, dançando no meu estômago. Cálcio no cálcio, meus dentes nos ossos, indicando que cheguei à profundeza máxima de um ser. Ah...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdoem-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu fosse narrar meus próximos dias naquelas profundezas, seria assim, uma descrição sem cessar de abrir e fechar de bocas. Foi isso o que eu fiz, mastiguei. Em meio a gritos e risadas, cantorias e palmas. Considerando essa passagem da minha vida, poderia batizar este livro de Mastigando Manos. Eram drogas demais sendo resgatadas pelos meninos no Achados e Perdidos. Eram meninos demais sendo apanhados por mim no meio do caminho. Adolescentes. Filhos do milho. Perdi a conta de quantas camisetas do Ramones tive de cuspir. Eles não desistiam. Em suas viagens, alguns praticamente mergulhavam para a minha goela. (Rá! Morra de inveja, Dennis Cooper!) Foi uma orgia tamanha que me lembro de pouco dito, pouco pensado e pouco arrependido naqueles dias. Só percebi o caldo grosso no qual estava mergulhado dias depois, quando uma grande crise estomacal me fez voltar a mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas o senhor exagerou na dose, hein?”, aquela era a voz da minha própria consciência. Me recriminava da pior maneira possível: ressaca. “Esperava o quê? Sou um jacaré, ora bolas! Eu preciso comer!” Talvez ela dissesse que, já que eu era um jacaré, não deveria ter consciência. Muito menos ressaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me fazia pensar que, se fôssemos obedecer nossa natureza e destino, eu deveria estar num zoológico ou numa reserva florestal. Se transcendi àquilo, deveria ser um pouco mais contido. O preço da civilidade era esse. Eu era capaz de visualizar muito mais prazeres e alegrias, mas como tinha de renunciar à maior parte deles para aproveitar algum, ficava com a sensação de que perdia mais do que ganhava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah... lassidão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior da ressaca era a culpa e os arrependimentos — a sensação de que todos à minha volta haviam visto o que eu fiz e me recriminavam. Que eu agira como um glutão, sem estilo e sem seletividade. Que engolia qualquer coisa que aparecia à minha frente, independentemente do gosto, espécie ou apetite. Posso até imaginar vocês mesmos me recriminando, apontando o dedo para mim e me acusando. Mas eu não me lamento agora, pois não estou de ressaca, e faz um bom tempo que larguei essa vida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nenhum de vocês pode me recriminar, tenho certeza. Duvido que saibam o que é ser um jacaré e, mesmo assim, ainda não conseguem abandonar seus estímulos orais. Por isso o cigarro entre os lábios, o copo na mão, o chiclete na boca. Por isso o beijo de boa noite, o café da manhã, o chimarrão na cuia. Os que conseguem transcender, não conseguem deixar de contar vantagem: falar, falar, falar, para manter a língua trabalhando. É inevitável. Ou ainda com os dedos, sim, aqueles que falam com as mãos, os dedos, sinais de surdo-mudo, escrevendo livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobagem dizer também que isso é uma teoria freudiana, que os humanos só fazem isso por um estímulo ancestral, a amamentação, fraqueza de mamíferos. Eu, como ovíparo, nunca conheci o seio quente de uma mãe... mas ainda assim preciso me sentir preenchido. A boca é apenas um canal representativo do vazio dos seres vivos. Um saco sem fundo (talvez com um furo...) que nunca se consegue abastecer. Há pessoas que tentam por outros orifícios, e para isso existem os headphones, as seringas, os consolos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os prazeres são orais. Aliás...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;FERIADO DE MIM MESMO - PRIMEIRO CAPÍTULO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ele acordou num feriado que caía no Dia dos Namorados. São Valentim, Corpus Christi, Carnaval? Não importava. Ele não tinha namorada nem trabalhava. Poderia dormir até mais tarde. Poderia dormir para sempre, se assim quisesse, mas não queria. Já não tinha tanto sono e a bexiga cheia era o suficiente, era o suficiente para fazê-lo largar a cama e caminhar até o banheiro, no Dia dos Namorados...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrou-se desde o primeiro segundo, as primeiras gotas caindo, de que dia era aquele. Lembrou-se de que era feriado e de que as pessoas entregavam presentes. As pessoas andavam aos pares, de mãos dadas, empacotadas, comemorando, sem nem saber o por quê. Ele também queria. Ele também queria saber. Queria comemorar, mas fazia tanto tempo... fazia tanto tempo que se acostumara assim, sozinho, a passar seus feriados e seus dias de semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu por acaso, a conjuntura. Condições sócio-econômicas, a situação do país. Sua situação pessoal e as oportunidades profissionais. Oportunidades que o trancaram em casa e o fizeram desistir de procurar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde formado, depois da escola. Depois da escola, voltou para casa e nunca mais saiu. Até pensou em faculdade. Até fez alguns exames. Mas depois que começou a ganhar algum dinheiro, desistiu. Era o que todos queriam. Trabalharia em casa. Faria traduções, redações, não daria satisfação. Conseguiu alugar seu próprio apartamento, apertado. E com o tempo mudou-se para um de dois quartos. Um para ele, outro para o computador. Um para trabalho, outro em caso de receber alguma visita. Visita dos pais que foram morar na Argentina. Visita de algum amigo bêbado depois da balada. Algum amigo dos tempos de colégio, onde estavam? Todos trabalhando. Em grupos. No escritório. E ele em casa, trancado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não pensava em tudo isso, enquanto pingava. Pensava apenas na namorada, qual? A última. Aquela que também fora para a Argentina. Não morrera. Não matara. Apenas decidiu largá-lo. Apenas decidiu ficar lá, com outro homem, em outro lugar. Muito bem, ele nem sentia saudades. Era apenas a última, a última para se lembrar. Antes dela, qual mais? Antes dela, algumas outras. E ele poderia se lembrar delas também, mas não no curto espaço de tempo em que esvaziava a bexiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, lavava as mãos. E talvez pensasse enfim no trabalho que iria começar. Era feriado. Não importava. Não trabalhava. Mas precisava começar. Precisava começar uma tradução. Precisava pegar mais trabalho. Precisava de mais dinheiro. Assim como precisava lavar as mãos.&lt;br /&gt;Então fechou a torneira. Bem fechada. Não só porque desperdiçava. Mas também porque pingava. Morava sozinho, e os pingos seriam ouvidos por ele por toda manhã, enquanto tentasse trabalhar. Ou então seriam silenciados por seu aparelho de som, por toda a manhã. E fosse desperdício ou ruído, seria uma perturbação. E ele não queria que nada perturbasse aquele feriado de Dia dos Namorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A televisão. Fazia o dia começar de verdade, ainda que de tarde. Sua ligação com o mundo dos vivos, figuras em movimento, a contar as novidades. Ele não gostava. Não se divertia. Apenas precisava, precisava ouvir um bom-dia, ainda que de tarde...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que os vizinhos ouviam sua escolha de canais, assim como ele ouvia suas vidas? Portas abrindo e fechando. Crianças rindo e correndo. Crianças chorando. Mães chamando por seus filhos e as campainhas sendo tocadas. Será que ouviria sua campainha nos próximos dias? Talvez o correio, talvez o caminhão de gás... Será que viam a luz da TV passando por debaixo da porta? E imaginavam o que se passava com ele para estar em casa naquela hora da tarde, em casa, em pleno dia da semana? Não trabalhava? Era feriado. Era Dia dos Namorados. E embora ele não trabalhasse, embora ele não namorasse, poderia se sentir confortável. E dormir até mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não fosse a bexiga a acordá-lo, para dizer bom-dia. Se não fosse a torneira pingando, para lembrar da sua namorada. Ou a torneira pingando, para lembrar do trabalho. A bexiga a acordá-lo, para lembrar da namorada. Se não fosse tudo isso, dormiria, dormiria. E não precisaria nunca mais acordar... Mas dias depois o caminhão de gás tocaria em sua casa e ele se lembraria do dinheiro, do fogão, do supermercado. Se lembraria do dinheiro que não tinha e do trabalho que precisava começar. Algum dia precisaria começar. Mesmo que fosse feriado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também precisava fazer supermercado. Não havia bastante em sua cozinha nem para o café-da-manhã. Nem queijo, nem suco, nem chocolate. Pão mofado, leite azedo, iogurte estragado. Fruta podre. Não gostava de começar o dia assim. De tarde. Gostaria ao menos de uma mordida. Não bastava um bom-dia. De tarde. Ao menos um iogurte. Ao menos um chocolate. Ao menos um gole de suco. Umas gotas. Para o dia começar, agora que sua bexiga estava vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixou o volume da TV e pensou então em como começar. O supermercado, o trabalho, um banho bem tomado. Poderia ser um de cada vez, na ordem certa, para fazer sentido. Faria. Primeiro o banho, para poder sair em ordem. Depois o supermercado, para matar a fome. Mataria, e estaria pronto para o trabalho. O quanto antes começasse, mais cedo terminaria. E assim terminaria seu dia. O que faria depois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era hora de pensar nisso. Primeiro tomar banho. Sempre haveria mais trabalho. Sempre haveria algo a fazer. Sempre nasceria um novo dia, um novo banho, uma nova fruta apodrecendo na geladeira. Ele não precisava fazer esforço algum. Ele poderia dormir para sempre. Mas sempre haveria um novo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então os pingos eram muitos, quentes, o chuveiro. O chuveiro a pingar sobre ele. A pingar sobre sua mão, girando a torneira. Um pouco mais quente. Um pouco mais frio. A temperatura exata, para o dia começar. A água escorrendo pelo ralo - lembrou-lhe que ele precisava limpar. Lembrou-lhe que ele precisava limpar o apartamento. Mais dia menos dia, não aquele. Detritos entrando pela janela. Seus restos escorrendo pela pele. Ele não precisaria fazer nada, mas o apartamento continuaria a se empoeirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ele tirou o shorts e a camiseta que se faziam de pijama. Ele entrou embaixo d’água e se esqueceu de todo o resto. Molhou a cabeça. Fechou os olhos. Deixou-se mergulhar como num sonho molhado naquele dia, o Dia dos Namorados. E talvez pela água, talvez pelo calor, talvez pelo feriado, se lembrou de um beijo, da boca, de escovar os dentes, livrar-se das bactérias...&lt;br /&gt;Embaixo do chuveiro. Tomando banho. Escovando os dentes. Água quente e hálito fresco. Menta. As gotas escorrendo pelo ralo. Os pingos escapando pela janela. A janela aberta que dava para o longo corredor de passagem de seu prédio. Todos escutariam. Todos escutariam suas gotas, seus pingos, seus dentes sendo escovados. Sentiriam o cheiro do perfume, do shampoo, de menta. E o pó que escorria por seu cabelo, a sujeira que se livrava de seu corpo, as gotas que escorriam pelo ralo fariam parte daquele dia de todos, daquele Dia dos Namorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era exatamente nisso que ele pensava. Pensava nos passos que passavam pela janela e que ouviam seus pingos, sentiam seu perfume, imaginavam o que ele estava fazendo. Talvez na ponta dos pés ele até pudesse ver quem era, pela janela. Talvez na ponta dos pés essa pessoa até poderia vê-lo. Mas um não procurava pelo outro, pois ambos sabiam o que cada um estava fazendo. Um tomava banho. O outro apenas passava pelo corredor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo ele também passaria. Ouviria talvez outras gotas, bexigas sendo esvaziadas, dentes escovados, banhos tomados. Ele também poderia espiar, novas vidas, sujeira enxagüada, na ponta dos pés. Não perseguiria uma nudez. Sabia o que estavam fazendo. Eles também sabiam dele. E todos entravam em acordo que o melhor era não espiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuspiu a pasta de dente no ralo e pôs a escova de volta no lugar. Na pia. Deixando centenas de gotas escaparem do box. Apenas água. Secaria com o tempo. Secaria com o vento. Secaria com o ar que entrava pela janela que dava para o corredor onde as pessoas passavam. E as pessoas passavam, movimentando o ar, fazendo-o entrar pela janela, para secar a água que vinha ao chão. Tudo em seu devido lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansou-se de pensar. E resolveu fechar a torneira. Enxugar-se. Cansou de pensar sobre o próprio banho. Pegou a toalha molhada. Um pouco menos do que ele. Secaria pendurada próxima à janela, com o vento do corredor. Com as pessoas passando, com ele indo ao supermercado, com ele voltando, faria a toalha mais seca. E quem sabe quando voltasse os pingos também não tivessem ido embora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as torneiras fechadas e os pingos silenciados, ouviu o barulho da televisão no quarto. Esquecera de desligar. Caminhou até lá com os pés molhados, apenas alguns passos e desligou o canal de desenhos animados. Não se lembrava de ter mudado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a janela do quarto também estava aberta. E ela poderia denunciá-lo. Ela poderia denunciar sua nudez, no pátio do Inmetro. Era essa a sua vista. Sua vista para fora dava para o Inmetro. Os empregados passando. Os empregados espiando. Eles poderiam ver tudo. Sua televisão e seus cds. Seus livros e seu computador. Seu corpo nu se enxugando. Sua toalha secando. Morava no primeiro andar, então estava pouco acima deles. Correu para fechar a janela, mas se lembrou de que era feriado. Ninguém passaria. O apartamento precisava ventilar. Vivia sempre tão fechado. E quem sabe a brisa externa não contribuísse com as toalhas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vasculhou entre as roupas uma cueca, uma calça e uma camiseta; estavam todas misturadas. Precisava cheirá-las para saber quais haviam sido lavadas. Talvez passar a ferro, mas ele não tinha. Apenas a chaleira, que às vezes esquentava. Não era a mesma coisa, mas funcionava.  Pelo menos para alguma coisa... Ele não bebia chá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cueca estava limpa e não precisava ser passada. Era preta e nem sempre precisava ser lavada. A camiseta estava amarrotada, mas não fedia, assentaria em seu corpo. O jeans era fiel e confiável, sujo ou limpo, liso ou amarrotado. Olhou no espelho e não tinha vergonha. Era um rapaz, como todos os outros, nem melhor nem pior. Talvez com os botões certos fosse um pouco mais bonito. Talvez com outra calça fosse mais sofisticado. Mas sua intenção era apenas ir ao supermercado. Era o suficiente. Nem de menos nem demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema com as meias eram apenas os furos. Ninguém os veria, mas ele ainda tinha medo. Enquanto as calçava se perguntava por que tinha medo de suas próprias meias. Se perguntava por que tinha medo de ser descoberto. Talvez fosse apenas o medo de alimentar um segredo - dentro do sapato. Se o amor surgisse à sua frente. Se alguém o levasse a uma loja de sapatos. Se almoçasse num restaurante japonês, o que faria com os furos nos pés? As meias. Precisava comprar novas meias logo. Pretas. Que nem sempre precisassem ser lavadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os sapatos? Tênis. Que agüentavam longas jornadas. Ele não precisava mesmo sair muito de casa. Se ficasse apenas no trajeto até o supermercado, eles durariam para sempre. Dentro de casa, andava descalço. Não tinha medo de resfriado. Tinha alguns outros, outros calçados, para outros casos. Mas os usava menos ainda e eles estavam intactos. Durariam para sempre. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calçou-se e levantou-se para sair. Antes, alguns trocados. Estavam na estante da sala, numa gaveta, amarrotados. Junto às contas já pagas. E junto às contas a pagar. Junto à correspondência, moedas, notas, o dinheiro para o supermercado. Incomodava ter de vasculhar para catar cada centavo. Lamentava não ser um pouco mais organizado ou não ter ao menos uma carteira. O bom é que sempre encontrava uma nota a mais, quando ele menos esperava; ou quando ele mais precisava, ao menos tinha esperança de encontrar. As mais frescas sempre estavam por cima. As recém-tiradas do banco sempre estavam à mão. Não duravam muito, ele as encontrava logo. E as restantes eram trocados, perdidos, amarrotados, entre as contas a pagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pegou quatro de dez e achou que seria suficiente. Pegou mais uma para o caso de querer gastar um pouco mais. Pegou todas de uma vez para não se arrepender de ter deixado. Sessenta reais. O bastante para o chocolate e o iogurte. O suficiente para o suco e o sanduíche. E a vodka? A vodka talvez pudesse esperar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O supermercado também. O trabalho também. Mas não a fome. A fome, que já se fazia tarde. Passara o café-da-manhã, o almoço, e nenhuma gota, nenhuma migalha. Hora de partir. Hora de ir ao supermercado. Infelizmente, ainda precisava de toda a ordem para encher a barriga e manter o espírito calmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou ao banheiro. Verificou se o cabelo secava em ordem. Deu mais alguns pingos e sacudiu para sair em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;A MORTE SEM NOME - TRECHO&lt;/span&gt; &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando me olhei no espelho, já tinha envelhecido trinta e cinco. No canto do olho, atrás de um sorriso, na frente do espelho, uma tristeza a ser escondida. Entre os dentes, as marcas das minhas mordidas. Em meus cabelos, a vida se esvaindo. Penteei fio por fio. Escovei dente por dente. Maquiei olho por olho e me olhei novamente, no espelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda estava lá, por trás de mim, entre os azulejos, jogado no ralo, tudo o que eu não pude esconder. Mofo nas frestas, cabelos na pia, sangue no vaso, sorrindo pra mim. Continuei a esfregar, pensando em branco. E quanto mais esfregava, mais sangue se espalhava. E de gotas fiz uma poça. E de poças fiz um lago. Do lago fiz um mar, para me afogar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me sentei na sala para fumar. Cigarro. Entre os dedos. Entre os dentes. Manchados de nicotina. Queimando com minha insegurança. Sumindo como fumaça. Cinzas ao chão, entre as frestas. Peguei a vassoura e a ordem, a ordem continuava a fugir de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas pegadas me seguiam por onde quer que eu fosse. Eu não podia escapar. E minhas impressões digitais manchavam o que quer que eu tocasse. Se tornavam cinzas, pó e mofo. Minhas mãos, meus lábios, meu pescoço e meu coração. A ser esfregada, a ser varrida, a ser escovada, nenhum banho daria conta. Minhas pegadas me seguiam onde quer que eu fosse e minhas impressões digitais estavam sempre em meus dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos pratos sujos. No garfo e na faca. Na cozinha, meu sangue fresco escorrendo pela pia. Detergente, sabão em pó. Lavei a louça e os talheres. Espalhei milhares de cacos pelo chão. Pela cozinha. Minhas impressões em cada um deles. Minhas impressões no ralo. Minhas impressões na faca. Minhas impressões cortando a linha, envolta do meu pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No lixo. Jogada em pedacinhos. Virei os olhos para longe de tudo o que eu não podia mais. Suco de laranja. Ossos de frango. Um coração palpitando. Que pelo menos não vaze pela casa. Que o saco plástico resista ao meu peso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No quarto, arrumei a cama. Troquei os lençóis e sacudi meus orgasmos, pela janela. Pelos ao vento. Sangue no colchão. Fronha amassada. Cada coberta trocada era um vinco a mais em meu rosto. No travesseiro. Me olhei no espelho e já não estava mais lá. Desarrumada. Troquei de roupa. Guardei o sorriso. Fechei botão por botão, cada qual na sua casa. Eu na minha, tentando fechar. Um quilo a mais, um quilo a menos. Pastéis de queijo para rechear. Vaso sanitário para vomitar. Seios pequenos para amamentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem pergunta? Quem procura? Entre as pernas, entre os dentes. Mordidas nos seios. Pelos na virilha. Sangue preso. Fecho solto. Barriga para dentro. Pernas de fora. Unha quebrada. Falta de cuidado. Olhei para o espelho para ver se ainda havia salvação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você se tornou uma bela mulher, hein? O orgulho estapeava meu rosto e deixava marcas. Olhei atrás das orelhas, embaixo do armário. Procurei minhas meias e calcei os sapatos. Um de cada vez. Passo a passo eu consigo. Minhas pegadas ainda me seguiam, mas pelo menos eu estava de salto alto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para o relógio. Era tarde. Mas ainda havia todo o tempo do mundo. A vida não esperava por mim. Lá fora, que o tempo passasse. Lá fora, que o o sol se pusesse. Lá fora, que o mundo acabasse. Eu tinha tempo de acabar com o meu. Fechava as janelas e trancava as portas. Desligava o rádio e o gás. A geladeira. Bebia as últimas gotas de água. Dava a última olhada no espelho. Me sentava na cadeira e esperava. Me sentava na cadeira a esperava. Me sentava na cadeira e esperava. Esperaria o tempo que fosse, o tempo que fosse para a minha morte chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;OLÍVIO - PRIMEIRO CAPÍTULO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              Olívio abriu a torneira com dedos pegajosos. Viu seu próprio esperma escorrendo pelo ralo e se sentiu um pouco arrependido. Devia ter mandado para ela num envelope perfumado. “Fiz pensando em você”. Mas ele pensara com raiva. Raiva em cinco dedos fechados, em volta do pênis, sacudindo sua amada até derramar. “Rosalina, Rosalina, ainda consigo pensar em você.”&lt;br /&gt;            Podia tê-la avisado. Pelo telefone, na hora do orgasmo. “Estou aqui, com você em minhas mãos.” Mas não podia segurar o telefone. E agora era tarde. Agora era vergonha. Escorria pela torneira. Olhava no espelho. Olívio pensava. “Vou ter outra chance. Ela vai voltar.”&lt;br /&gt;            Nas duas últimas vezes, ele falhou. Não adiantava nem culpar a política e os indicadores econômicos. Não adiantava culpar o trabalho e o estresse da vida moderna. Olívio estava calmo como um cão castrado. Calmo demais. Castrado. Seu pênis sem sinal de vida. E Rosalina virava e mexia. Rosalina se desdobrava e sacudia, se derramava, tentando provocar alguma reação. Nenhuma. Rosalina ficava sem graça. Era obrigada a fazer coisas que não estava acostumada. Não falava nada. Chupava. Olívio também não falava, mas pensava. “Puxa, que situação desagradável.”&lt;br /&gt;            Assim foi na primeira vez. Na segunda também. E na segunda, Rosalina catou suas coisas e foi embora. Na segunda, Rosalina perdeu a paciência. “Assim, não dá, Olívio. Quero um noivo funcionando, um marido sem defeito!.” Olívio lamentou e deu dinheiro para ela pegar um táxi. Ela bateu a porta. Ele ligou a TV.&lt;br /&gt;            Só pensou nela depois de dois seriados e um programa de entrevistas. Entediado. “Puxa, ela poderia ter sido mais compreensiva.” Olhou para seu pênis e ficou encabulado. “Assim você parece bem menor, né? Não devia ter feito isso na frente de uma mulher...”     &lt;br /&gt;             Mas não havia nada de errado. Constatou. Pensou em Rosalina,. Fechou os olhos. Fechou os dedos. Deixou que o amor crescesse em raiva, e raiva em orgasmo, logo estava terminado. Melado. Envergonhado. Lavou as mãos. Comeu um pedaço de torta de frango e voltou a ver televisão, nú, deitado em seu quarto, na sua cama. Sozinho. “Que injustiça, todo esse amor em vão.”&lt;br /&gt;            E era uma noite de domingo. Que triste. Podia ter acontecido qualquer dia, menos esse. Imagine só, acordar para trabalhar  na segunda seguinte, depois de um final de semana assim. Por isso, Olívio continuava assistindo televisão, sem se preocupar com o avanço da madrugada. Para um novo dia demorar mais a chegar...&lt;br /&gt;                  Pensou em ligar para Rosalina. Na madrugada, sua voz seria mais macia e aconchegante, e ele conseguiria dizer tudo o que precisava para mantê-la apaixonada. Veja só, se o amor não é muito mais do que isso. Se o amor não é muito mais do que uma queda, ou duas. Mas agora era tarde demais e Rosalina já estaria dormindo. E a mãe de Rosalina ficaria assustada. E ele teria de arrumar um ótimo pretexto. E ele não poderia dizer que era apenas amor, amor derramado. Ele teria de se esforçar muito mais. Então continuou vendo televisão.&lt;br /&gt;            Conheceu Rosalina num churrasco de final de ano. Na firma. Ela era prima da secretária. Ele era funcionário da contabilidade. Ele bebeu um pouco demais. Ela bebeu o suficiente para corresponder. Ela sorria de longe, entre colegas que ele conhecia. Ele puxava assunto em espiral, se aproximando dela. Comentava com uma vizinha. Brincava com a colega. Ria alto o suficiente, para ela perceber. E com empurrões de amigos, logo estavam juntos. Conversando sobre a carne. Conversando sobre a caipirinha. Conversando sobre uma porção de amendoins, com os dedos salgados e os sorrisos desavergonhados. No final da noite, estavam tirando fiapos de carne dos dentes um do outro, num beijo quente.&lt;br /&gt;             Fofocas no dia seguinte. Quem ficou com quem. Darcy e Irineu. Margarida e João Paulo. Olívio e Rosalina. Pra quem importava? Aos vinte e sete anos, Olívio era solteiro, Rosalina também, aos vinte e três. Trocaram beijos e telefones e, no final de semana seguinte, já estavam juntos, como um casal.&lt;br /&gt;             Foi a melhor conquista de Olívio. Mulher bonita. Moça de família. Reunia tudo o que ele estava cansado de aproveitar, com aquilo que só a mãe de seus filhos poderia dar. Assim seu pai lhe diria, assim sua mãe aprovaria. Assim Olívio foi ampliando os convites, avaliando as expectativas. Fechando os botões da camisa e pensando em voz alta. “Puxa, me dei bem.”&lt;br /&gt;             Não precisava de muito para fazê-la sorrir. Ela sorriria toda vez que ele tivesse a intenção. Ele sorriria de volta, satisfeito consigo mesmo. Passeavam juntos e conversavam amenidades. Conversavam amenidades porque não tinham nada mais para conversar. Quando se cansavam, se abraçavam. Quando faziam silêncio, se beijavam. Depois, ela encostava a cabeça em seu ombro e a semana de trabalho se afastava quilômetros, para o outro lado do porto, no começo da estrada, varrida pelo vento e pelo tempo que passavam juntos. Era um final de semana suave, como deveria ser. E ele achou que deveria ser sempre assim.&lt;br /&gt;                 Daí os finais de semana foram se somando. Os dias foram se acumulando. O compromisso foi se agravando e tomaram como noivado. Que fosse. Olívio achava uma ótima idéia. Até porque, estava apaixonado. Tanto quanto poderia estar. De sua maneira calma, às vezes até impotente. Olívio amava Rosalina. E Rosalina? Rosalina amava Olívio.&lt;br /&gt;                 Tanto amava que não pediu muito. Nem precisou de anel no dedo e enxoval no armário. Não precisou de pedido formal nem promessas de felicidade. Não precisou de nenhuma prova para se entregar. Não. Era amor mesmo. Daqueles que Olívio pegava com as mãos cheias. E Rosalina aproveitava. Rosalina aproveitava todas as coisas boas que Olívio poderia fazer por ela. E Olívio aproveitava. Olívio aproveitava todas as coisas boas que ela deixava ele fazer.&lt;br /&gt;                 Eram duas coxas generosas para apalpar. Meias de seda, calcinhas de renda. Perfume quente e doce. Cabelos lisos e compridos. Um vestido bem curtinho. Um soutien vermelho, fazendo Olívio corar. Quando Olívio viu pela primeira, por trás das rendas, por trás do vermelho, o bico do seio de Rosalina, teve certeza de que era amor.&lt;br /&gt;                Era um bico escuro, mais escuro do que a pele castanha de Rosalina. Quase tão escura quanto a pele morena de Olívio.  Morena como as castanhas, castanho, como a pele morena. Salgada, rígida. Tocou com seus próprios dedos. Provou com seus próprios lábios. Abriu sua própria braguilha e esperou não desapontar. Ah, não, não desapontou, daquela vez não. Era amor. E ela não disse nada.&lt;br /&gt;                Ele pensou que seria muito bonito, assim, castanho com moreno, moreno com castanho, pêlos nos pêlos, pensou nos filhos. Pensou nos filhos que teriam, morenos, correndo pela casa. Com os olhos amendoados, como os dela. Castanhos. Com os cabelos lisos, como os dele. Indiozinhos a brincar. Olívio a derramar. Rosalina a enxugar. Sim, era amor, seria casamento e ninguém poderia evitar. Poderia?&lt;br /&gt;                Ah, foram tantos planos. Foram planos muito sérios, para serem destruídos assim, por uma pequena falha. Ou duas. Não era justo pensar em Rosalina, assim, sozinho, e desperdiçar chances do amor se tornar casamento. Desperdiçar chances do amor se tornar lindos filhos. Nem poderia deixar o amor se torna raiva, arrependimento. No final de semana seguinte, estaria tudo certo novamente. E Olívio poderia mostrar com suas próprias mãos o quanto era grande seu amor. Rosalina também o amaria, mas não diria nada. Seus filhos falariam por si só. Você vai ver, vai dar tudo certo.&lt;br /&gt;               Olívio desligou a televisão e pensou em apressar a segunda-feira. Dormir tarde, acordar cedo. Ligar para Rosalina e pedir desculpas. Bem cedinho, assim que ela acordar. Segunda-feira cedo, antes dela sair para o trabalho. Seria um beijo de bom-dia e um beijo de reconciliação. Seria sim. Bastava ele dormir e acordar para um novo dia. Rosalina cinco horas adiante...&lt;br /&gt;              Sacudiu o perfume de Rosalina para longe. Trocou a fronha do travesseiro. O domingo terminava com suas calças sobre o lençol, o lençol numa trouxa, junto com a cueca, a camisa e as meias encardidas. Segunda era dia de deixar a roupa com a lavadeira do prédio. Bem cedo, antes de ir trabalhar, depois de falar com Rosalina. Para ter tudo limpo e cheiroso no final de semana seguinte. Teria tudo limpo e cheiroso no final de semana seguinte, era só acordar cedo.&lt;br /&gt;               Olívio escovou os dentes, sorriu para si mesmo e penteou os cabelos, para dormir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7672465-6018221345328525183?l=santiagonazariancontos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7672465/posts/default/6018221345328525183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7672465/posts/default/6018221345328525183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://santiagonazariancontos.blogspot.com/2007/07/trechos-dos-romances-publicados.html' title='TRECHOS DOS ROMANCES PUBLICADOS'/><author><name>Santiago Nazarian</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
